domingo, 6 de janeiro de 2008

Erros de comunicação

O Semanário SOL de 5 de Janeiro firma em manchete de 1ª página “Manuais escolares contêm textos incompreensíveis”.

A abrir a notícia pode ler-se:
“A MAIORIA dos manuais de Português do 4.º ano não contribui para os alunos perceberem o que lêem e contêm textos incompreensíveis.
É esta a conclusão do primeiro grande estudo sobre manuais escolares realizado em Portugal.
A autora do estudo aponta a má qualidade dos manuais como uma das razões para o fraco posicionamento de Portugal nos índices internacionais de competências literárias.”

Importa antes de mais referir que o estudo foi realizado no âmbito de uma dissertação de Mestrado e orientado pela Universidade de Coimbra (FPCE). Não entrando em aspectos específicos do estudo, como objectivos, âmbito, intervenientes, etc., importa esclarecer um ou outro aspecto sobre a notícia:

(1) O Sol afirma que os manuais escolares de 4º ano de Língua Portuguesa contêm textos incompreensíveis. Não é verdade, enganaram-se. Errar é humano!

(2) A TSF repõe a verdade. A autora do estudo já fez um desmentido à TSF, que está certo, dizendo que os textos dos manuais de Língua Portuguesa de 4º ano analisados "não contribuem eficazmente para o desenvolvimento das competências de leitura, porque se ficam pelos níveis mais elementares" (palavras Maria Regina Rocha, autora do estudo).

Em suma, o facto de não serem exigentes é muito diferente de serem incompreensíveis. Aliás, parece ser duas afirmações diametralmente opostas. Segundo a autora do estudo, "Os textos são compreensíveis". Ainda segundo a mesma e a Orientadora do estudo, errado é afirmar o contrário.

No entanto, parece subsistir ainda alguns equívocos sobre o assunto e que merecem mais alguns esclarecimentos. A bancada parlamentar do PSD vai aproveitar a ida da Ministra da Tutela à Comissão Parlamentar da Educação na próxima terça-feira para pedir esclarecimentos sobre este estudo, que Maria de Lurdes Rodrigues já tinha conhecimento.
Espero também em breve publicar aqui um novo texto sobre o assunto que possa contribuir para ajudar esclarecer alguns dos equívocos que por aí andam a circular nos meios de comunicação social, na blogosfera e pelos vistos até chegaram ao parlamento... Mas é mesmo para ficarmos todos inquietos e preocupados porque os resultados em termos de sucesso educativo no Ensino Básico continuam a ser pouco animadores. É bom que essa preocupação tenha tocado a orla do poder político. Pode ser que o estudo lhes sirva para reflexão, como aliás devia de ser uma das suas funções.

Lá teremos que queimar melhor as pestanas neste e outros estudos (Sr.ª Ministra), pois eles podem vir a tornar-se muito profícuos na necessária inversão de marcha de algumas medidas e orientações curriculares que estão a revelar-se um desastre sem precedentes na História da Educação em Portugal.

2 comentários:

José Carrancudo disse...

As nossas propostas sobre os manuais escolares foram publicadas aqui.

Entretanto, outras duas publicações nossas, esta e esta, tratam de dois problemas pedagógicos, fundamentais para todo o nosso sistema de ensino, pois a sua existência inviabiliza todos os nossos esforços no sentido de melhorar a qualidade do ensino.

Esperemos que não seja tarde demais reconstruir a nossa Escola.

Fátima André disse...

José, obrigada pela referência.
Faço meus, os seus votos.
Bom trabalho.