sábado, 8 de dezembro de 2007

Mais uma... "PISA 2006"


No passado dia 5 de Dezembro foram divulgados os resultados do PISA 2006 que incidiu sobre literacia científica e contou com a participação de 57 países. Em Portugal, esta 3ª edição do PISA envolveu 173 escolas (155 públicas e 18 privadas), abrangendo 5109 alunos, do 7.º ao 11.º ano de escolaridade. A análise das Competências científicas dos alunos portugueses no âmbito do Pisa 2006 está disponível na página do Gabinete de Avaliação Educacional do Ministério da Educação.

Esta versão preliminar pretende ser uma primeira análise aos resultados dos desempenhos médios dos alunos portugueses nas diferentes áreas de avaliação do PISA 2006. De acordo com a nota de apresentação do documento, o presente relatório pretende atingir três objectivos:

(1) Apresentar de forma clara, concisa e sugestiva, os resultados dos desempenhos dos estudantes portugueses no ciclo de 2006 do PISA;

(2) Aprofundar uma perspectiva já iniciada em 2003, de sugerir comparações de desempenhos entre ciclos, propiciando uma visão dinâmica dos resultados;

(3) Levar a efeito a análise desses resultados em confronto com elementos socioeconómicos e culturais do meio envolvente, cujas repercussões nos desempenhos são, de há muito, reconhecidas.

O principal objectivo deste programa de avaliação de estudantes é testar as competências dos alunos de 15 anos nas literacias de leitura, de matemática e de ciências e de resolução de problemas.

Na literacia em ciências, Portugal apresenta um valor de 474, em comparação com 459 em 2000 e 468 em 2003.

Já na literacia em leitura, o valor de 2006 (472) é superior ao de 2000 (470), mas inferior ao de 2003 (478).

Por fim, na literacia em matemática, os 466 pontos de média verificados agora repetem o valor de 2003, continuando acima de 2000, quando o desempenho médio dos alunos portugueses foi de 459.
Desta leitura transversal, ainda pouco trabalhada, posso inferir que os ditos resultados, em relação aos estudantes portugueses continuam a ser pouco animadores... se tivermos em conta tanto fumo proveniente das mais recentes e inovadoras??? medidas educativas, para tão pouco fogo... aliás, nenhum... o que me faz ainda ter maior convicção nas ideias que defendo no texto anterior e outras tantas nele subjacentes, e que já aqui expus anteriormente. Ou seja, de que o conhecimento científico, o rigor, o esforço... é o caminho para melhorar os resultados dos alunos e, naturalmente, dos sistemas educativos.

Aqui fica um excerto de uma reflexão muito curiosa e interessante sobre os dados do PISA -, Programme for International Student Assessment que dará muito que pensar:

«(…) Estranhamente, apesar de desempenhos no fundo da tabela (só três países da OCDE se saem pior que Portugal - Grécia, Turquia e México), os estudantes portugueses demonstram uma ambição em prosseguir uma profissão científica muito acima da média (38.8 contra 25.2%), aliás, é mesmo a mais alta no conjunto dos países da OCDE.

Este último dado dever-nos-ia fazer reflectir: se os alunos nacionais, não obstante os resultados obtidos, demonstram uma tão grande apetência por carreiras científicas, ou seja, um tão grande fascínio pela ciência, o que há de errado no nosso ensino/curricula que os impede de concretizar e aprofundar esse fascínio? Se a motivação está lá, o que falta?». (Palmira F. da Silva, professora do Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa)

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