sábado, 1 de dezembro de 2007

Humor e Poesia, uma união perfeita

Portugal, apesar de “rotulado” como país de intensas nostalgias e de rebuscadas melancolias, não é imperativo que os poetas sejam tristes ou que a sua poesia seja carrancuda celebração dessa tristeza.
Aqui fica um exemplo da conciliável poesia bem-humorada de Natália Correia (1923-1993).

“O acto sexual é para fazer filhos»,
Afirmação no Parlamento de João Morgado,
Deputado do CDS.

«Já que o coito – diz Morgado –
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino,
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca;
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que viril instrumento
só usou – parca ração! –
uma vez. E se a função
faz o órgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.»

Natália Correia, In Cem poemas portugueses do riso e do maldizer, 2003, (Org. José Fanha e José Jorge Letria). Lisboa: Terramar.

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