sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Dêmos asas de águia às nossas crianças…


Há sempre algo de muito digno de elogio no Ser Humano – a sua capacidade de viajar. Viajar muito. Mas como podemos ambicionar viajar para lugares longínquos se milhares e milhares de pessoas vivem no limiar da pobreza? É possível viajar sem dinheiro e para lugares de difícil acesso ou intransponíveis. Viajar pelo mundo dos livros. Viajar pelo mundo do conhecimento acumulado ao longo de milhares e milhares de anos. “O mundo dos livros dá asas à inteligência. Quem os descobre voa mais longe.” (Cury, 2005, 52). Quem ama a sabedoria, descobre o caminho, penetra no mundo das ideias. Ler, ler muito… é uma das chaves desse sucesso. Uma conquista diária e permanente.

Amar a sabedoria pode não custar um cêntimo. Podemos sempre pedir livros emprestados, requisitar em bibliotecas, trocar com os amigos… e deixar a nossa imaginação voar, voar, voar bem alto.

A Esperança que nos invade e arrebata pelo desejo de mudar algo para melhor é o fôlego da vida, o nutriente essencial da emoção (Cury, 2005) que gera o impulso para a acção. Não basta conceber belos e aprazíveis projectos é preciso concretizá-los, passar da fase da concepção à fase da realização.

Talvez pela falta de coragem, de determinação, ou espírito entusiasta e de empreendedorismo… muito dos planos, projectos, sonhos e utopias, não passam disso mesmo, utopias longínquas, algumas chegam ao papel mas sem mais… morrem arquivados na memória de quem os sonhou mas não servem o bem supremo, a humanidade.

É urgente despertar este desejo de ser útil à sociedade, o único caminho para encontrar sentido para a vida. É preciso amar esta luta. Uma luta que não é de todo desprovida de sofrimento, dor, derrotas, desconforto, frustrações… mas a segurança, a perseverança, a coragem, a ousadia, o trabalho e o esforço… são entre muitos outros, os fios que tecem a armadura dos vencedores. São os grandes desafios, as grandes causas que movem os sonhadores.

Será que estamos a preparar os nossos jovens, os nossos filhos, os nossos alunos, para enfrentar grandes lutas, grandes desafios, grandes causas? Não os expomos ao frio ou à chuva, antes os levamos de carro à porta da escola… não os deixamos respirar autonomamente, antes os tentamos controlar por telemóvel ou por videovigilância, hora a hora, minuto a minuto… Em casa, a família não ensina a conquistar os prémios pelo esforço, pelo trabalho e a luta persistente… antes os super-protegem atafulhando-lhes os quartos de computadores, consolas, mp3 ou mp4, telemóveis de última geração, talvez um de cada rede… ter, ter, ter… Na escola prevalecem as modas pseudo-pedagógicas dos interesses dos miúdos, das aprendizagens contextualizadas, da utilidade das aprendizagens... Claro, é bem mais confortável ver uma criança sorrir por fazer só o que lhe apetece, aprender só o que gosta… e assim, consciente ou inconscientemente, vamos prolongando os erros das famílias, reproduzindo os erros da sociedade, aumentando as clivagens sociais… Tudo menos dar-lhes asas de águia, ensinar a voar bem alto… alvitrar-lhes o desejo de viajar para lugares longínquos, ensinar a apreciar o valor do trabalho, do esforço… ensinar a pensar antes de reagir, a ser paciente, a expor e não a impor as suas ideias, a desenvolver um espírito empreendedor, envolvendo-os em projectos comuns, em grandes causas sociais da comunidade… todos estes valores são preciosos e universais e ensinam-se, não se aprendem por descoberta.

Nada é tão simples como aparenta, a vida é complexa, mas alcançar objectivos e metas ambiciosas é maravilhosamente delicioso e fascinante. É isso que temos que transmitir às nossas crianças e jovens. Que vale a pena lutar por grandes metas. Para tal, é preciso escalar montanhas, correr atrás do arco-íris… até encontrarmos o nosso sonho… é mais ou menos assim que termina o grande clássico que tem deliciado gerações por todo o mundo “Música no Coração”.

Teremos a coragem de deixar que as nossas crianças e jovens sucumbam à passividade?

E termino com duas frases que tudo dizem acerca desta questão:

"O único lugar onde sucesso vem antes do trabalho é no dicionário." Albert Einstein

"Se aprender é fazer nascer, impedir de aprender é matar". Plutarco

Maria de Fátima André

Referência bibliográfica:
Cury, A. (2005). Nunca desista dos seus sonhos. Cascais: Editora Pergaminho.

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