sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Métodos, estratégias de ensino e organização da escola


Pegando na deixa do post anterior, em abono da verdade, todo o professor, de qualquer área do conhecimento, deve dominar vários métodos e estratégias de ensino. E deve recorrer a um ou a outro consoante o que melhores resultados produzir na situação em causa. Pedro d’Orey da Cunha (1996) explica muito bem isso em relação às lacunas deixadas pela lei no que respeita à relativização dos valores. Na ausência de modelos para atingir objectivos educacionais desta natureza, de transmissão de valores de índole moral, ele propõe alguns métodos que aqui só vou enunciar: (1) Método da narrativa; (2) Método da clarificação dos valores; (3) Método da discussão de dilemas; (4) Método da problematização.

Acresce dizer que os vários métodos apresentados, não seguem uma única linha orientadora. Temos métodos mais próximos de uma linha humanista e temos métodos mais próximos de uma linha naturalista.

Há autores que consideram que uma educação humanista se opõe a uma educação naturalista. Discordo. Talvez não seja assim tão estanque que tenhamos que enveredar por uma via de ensino ou por outra via (em termos de exclusividade). Em certas situações e com certos alunos pode dar mais resultado um método, em outras situações e/ou com outros alunos os mesmos métodos podem ser um perfeito fracasso. O professor deve ser suficientemente inteligente, digamos, ter competência para prever situações complexas e se for o caso mudar de métodos quando uns não estão a resultar. Acho que neste campo há umas pontes por construir… mas como diz uma investigadora amiga, estudar ajuda e investigar também!

Quanto à Organização e Gestão de Projectos de Escola, naturalmente que este é outra “chaga” da educação. Enquanto se produzirem projectos para cumprir normativas burocráticas, para “inglês ver”, neste caso para a Inspecção ver… e não por necessidade, não estaremos a contribuir para o esbatimento das clivagens sociais (Steiner e Ladjali, 2005); o mesmo é dizer, estamos longe da concretização dos princípios organizativos do sistema educativo previstos na actual LBSE (2005) «igualdade de oportunidades para ambos os sexos»; «assegurar o direito à diferença»; o «combate às assimetrias locais e regionais»; «descentralizar, desconcentrar e diversificar as estruturas e acções educativas»... (Cf. artº 3, alíneas a) a l).

O professor João Barroso (2004) a propósito dos discursos eloquentes que têm atravessado as duas últimas décadas governativas, no âmbito da educação, mais propriamente em relação ao tema autonomia das escolas fala de “uma ficção necessária”. Um tema que merece ser explorado. Para finalizar e para não me alongar (porque fica muito por dizer), com maior ou menor intervenção da Tutela, caberá sempre à escola, no seu quadro de autonomia, fazer essa gestão adequada, tornando-se deste modo responsável pela qualidade de ensino prestado à sua comunidade, contribuindo assim para um maior sucesso das aprendizagens dos alunos, e uma maior eficácia da instituição educativa.

Referências:
Barroso, J. (2004). A autonomia das escolas: uma ficção necessária. In Revista Portuguesa de Educação, vol. 17, nº 2, 49-83.
Cunha, P. d’O. (1996). Ética e educação. Lisboa: Universidade Católica Editora.
Steiner, G. & Ladjali, C. (2005). Elogio da transmissão: o professor e o aluno. Lisboa: Dom Quixote, 2005
Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE) – Lei nº 49/2005 de 30 de Agosto.

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