quinta-feira, 15 de novembro de 2007

"Marçal Grilo pede mais autonomia para as escolas"

Por Bárbara Wong, In Público, 15.11.2007

O Governo deve intervir menos no sistema de ensino e dar às escolas ferramentas para que estas possam trabalhar no combate ao insucesso e abandono escolar, diz Eduardo Marçal Grilo, ex-ministro da Educação e administrador da Fundação Calouste Gulnbenkian.

Marçal Grilo - que falava no âmbito da apresentação da conferência internacional sobre Sucesso e Insucesso: Escola, Economia e Sociedade que vai decorrer no início da próxima semana na Gulbenkian, em Lisboa - apela: "Deixemos as escolas trabalhar." "Quanto menos regulamentação houver, quanto mais responsabilidade para escolas e famílias, melhor", considera o antigo responsável pela pasta da Educação.

Foi durante os anos em que Grilo esteve no ministério que foi publicada a primeira lei da autonomia das escolas. "A minha ideia foi sempre a de dar maiores responsabilidades e melhores condições", confessa. Contudo, o primeiro contrato de autonomia só foi assinado em 2005, durante o Governo de Santana Lopes. E só na actual legislatura é que Maria de Lurdes Rodrigues celebrou contratos com mais 24 estabelecimentos de ensino. O administrador da Gulbenkian critica ainda a burocratização que envolve as escolas e defende que "o poder político não deve estar no detalhe". "O mais importante é dar condições às escolas. Acredito na autonomia das escolas para tomarem as suas próprias decisões", sublinha.

Sobre a conferência internacional Marçal Grilo diz que ainda são mal conhecidas as razões do insucesso e do abandono escolar. Além de factores como os baixos rendimentos dos agregados familiares ou a falta de procura de mão-de-obra qualificada por parte do tecido económico, "muitas famílias continuam a ver a escola como uma imposição", analisa.

Para o comissário do encontro, o investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Manuel Villaverde Cabral, o país tem feito um "enorme esforço" nas últimas décadas para alcançar não só o sucesso escolar, como o económico e social. "Lutamos pelo sucesso, mas nem sempre obtemos e não é um problema exclusivamente escolar", diz, alertando para que "não é jogando mais dinheiro no sistema escolar que este vai funcionar melhor".

Nota:
Para ler e saber mais sobre o que defende o ex-ministro da Educação Marçal Grilo sobre o insucesso e o abandono escolar "um dos maiores flagelos do país", ler artigo do Expresso de 14 de Novembro.

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