sábado, 24 de novembro de 2007

Hora da Poesia

Depois de uma pausa para o almoço... uma pausa para a poesia e...

Tempo para o essencial


Passamos a vida à espera de tempo…
E o pior é que o tempo que esperamos,
é tempo para o essencial…

Sim,
tempo para repensar a vida ou para rezar;
tempo para responder às cartas
ou para visitar um doente;
tempo para dialogar problemas
ou para ouvir os outros;
tempo para descansar
ou programar calmamente o futuro…

Passamos a vida à espera de tempo,
ou, então, a trabalhar afadigadamente
para depois ter tempo.

Mas tanto nos viciamos nesta lufa-lufa
que das duas uma:
ou caímos de cansados
ou quando esse tempo vem
já não sabemos senão esgotá-lo na rotina
que criámos.

O tempo não é inesgotável
e foi-nos dado para o essencial.
Importa começar por abrir nele,
no tempo que hoje nos é dado,
clareiras destinadas ao essencial
porque o resto é que pode esperar.

Se colocamos esse essencial
no horizonte longínquo dos nossos ideais,
corremos o risco dramático de não o chegar a viver
e a nossa existência seria uma oportunidade perdida…


Carlos Pais

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