sábado, 17 de novembro de 2007

Grande celebração para uma grande obra e um grande autor


Vinte e cinco anos e um milhão de livros da memorável história de um convento


Por Mariana Pinheiro, In Público, 17.11.2007

É um dos livros mais vendidos de sempre em Portugal. Talvez o mais vendido. Aos 25 anos de Memorial do Convento juntam-se os 85 de Saramago, num dia de celebração hoje em Mafra

"Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra", e era uma vez um antes e um depois do Memorial do Convento, provavelmente o livro mais conhecido de José Saramago, que celebra hoje 25 anos sobre a sua primeira edição. Desde que foi lançado, nunca mais o Convento de Mafra, o mais importante monumento do Barroco português cuja história da construção ficou imortalizada na obra, voltou a ter sossego.

Embrenhados no romance, percebemos que o rei D. João V, o Magnânimo, foi o autor da promessa e tanto foi o seu empenho, como o das demais gentes que o construíram, que o número de operários não parou de crescer, assim como a barriga da rainha. Cinquenta mil trabalhadores ergueram quatro hectares de palácio (37.790 m2), com cerca de 1200 divisões, mais de 4700 portas e janelas, 156 escadarias e 29 pátios e saguões.

E assim vamos descortinando a imponência do Convento de Mafra, que se desenvolve respeitando uma rigorosa simetria a partir de um eixo central, a basílica, ponto principal de uma extensa fachada palaciana ladeada por dois torreões que não deixa indiferentes os forasteiros que por lá passam.

Foi em 1717 que se lançou a primeira pedra e agora, volvidos 290 anos, o convento tem um livro que conta a história do seu "nascimento" e que já vendeu cerca de um milhão de exemplares só em Portugal. Por causa dele, atraiu visitantes de todo o mundo. Traduzido em 40 línguas, atinge este mês a 43.ª edição e terá uma sobrecapa a assinalar a comemoração do aniversário.


Ponto de partida

"Há um antes e um depois do Memorial do Convento. O número de visitantes aumentou gradualmente ao longo dos anos", diz Margarida Montenegro, directora do Palácio Nacional de Mafra. Em 1981, um ano antes do lançamento da primeira edição do livro, Mafra recebeu 71.842 turistas; em 2006, o número elevou-se para 114.373 visitantes - um aumento de 63 por cento.

"E não podemos negar a evidência quando olhamos para as estatísticas e vemos que há dois picos de grande afluência: quando Saramago foi premiado com o Nobel da Literatura, em1998, e depois de o Memorial do Convento ter sido introduzido como leitura obrigatória no ensino secundário", diz.

A dinâmica do convento teve de se adaptar às exigências que as escolas faziam. A partir do ano lectivo de 2003-2004 "caiu o Carmo e a Trindade". "Vieram escolas desde Vila Real de Santo António, no Algarve, a Vila Real de Trás-os-Montes ", exclama Fernanda Santos, coordenadora do serviço educativo afecto ao palácio. "Quando o livro passou a ser leccionado nas escolas, as visitas ao convento aumentaram consideravelmente".

Foi por isto que o serviço educativo decidiu organizar visitas ao convento dedicadas à população escolar, que pretendem, nas palavras da directora, "estabelecer um paralelismo da obra com o monumento". Ao longo da visita - chamada Memorial do Convento - uma integração histórica - vão sendo feitas referências aos espaços mais importantes descritos no livro.

Devido às muitas solicitações das escolas para realizarem visitas, o palácio estabeleceu, em Março deste ano, uma parceria com o Teatro Nacional D. Maria II. "A visita e o espectáculo alternam-se. De manhã a visita e, à tarde, o espectáculo, realizado junto ao palácio, ou vice-versa", diz Fernanda Santos. Cada uma das actividades tem capacidade para receber 125 alunos de cada vez.

Capa da edição comemorativa dos 25 anos do Memorial: um milhão de exemplares vendidos só em Portugal

41.ª edição: Junho 2007

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