quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A dimensão pessoal de ENSINAR III


Atitudes face aos alunos


• Expectativas do professor

– “Efeito de Pigmaleão” na formação das crenças pessoais

(Robert ROSENTHAL & Lenore JACOBSEN, 1968)

Igualmente importantes são as atitudes do professor face aos alunos. As expectativas do professor face aos alunos influenciam consideravelmente o desempenho dos alunos. O primeiro estudo a comprovar esta teoria foi realizado por Rosenthal.

Num estudo patrocinado por este, foi criada a falsa expectativa num grupo de professores de que determinados alunos iriam ter um desenvolvimento mais acelerado.

• 3 componentes que influenciam as expectativas do professor:

1. os alunos em relação aos quais se esperava que tivessem um bom desempenho tendiam a apresentar; estes alunos tiveram um desenvolvimento superior apesar de terem sido escolhidos ao acaso. Ficava então demonstrado o efeito de uma profecia auto-realizada.

2. os alunos de quem não se esperava um bom desempenho tendiam a sair-se menos bem que o primeiro grupo.

3. mesmo os alunos que se saíam bem e que faziam progressos contrariando as expectativas que iam em sentido contrário eram vistos negativamente pelos professores.


Para fortalecer a sua investigação, Rosenthal desenvolveu muitos outros estudos semelhantes como resposta às críticas de que foi alvo. No entanto, outros estudos vieram acrescentar que tal influência nos alunos não é intencional por parte do professor. Não é que ele queira intencionalmente que as suas expectativas fossem cumpridas. O professor não consegue esconder os seus sentimentos verdadeiros (o tal currículo oculto) uma vez que as crianças captam através da linguagem corporal (postura, tom de voz, etc) as verdadeiras expectativas do professor.

As expectativas do professor podem ser afectadas por vários motivos…


– Elementos discriminativos do comportamento do professor dependente das expectativas

(Jere BROPHY & Thomas GOOD, 1987)

• O comportamento dos professores na sala de aula está relacionado com o estatuto do aluno.
Quando a classe social dos alunos é mais baixa ou a origem étnica é diferente da do professor, existe a possibilidade de este esperar menos, exercer um ensino menos eficaz com essas crianças, sendo estas por vezes ignoradas. Este comportamento tende a agravar-se conforme os alunos vão aumentando o seu grau de escolarização, o que leva a concluir que por vezes a educação na escola pode ser pior do que a ausência dela: não é que todos os professores sejam racistas. Trata-se apenas de um preconceito muito enraizado na cultura ocidental e que a vivência do dia-a-dia tende a reforçar (o facto das profissões que menos exigências intelectuais têm serem normalmente ocupadas por pessoas provenientes de etnias minoritárias) e se vai eternizando ciclicamente. A tendência para os professores terem expectativas mais baixas dos alunos de minorias étnicas e classes sociais desfavorecidas está largamente estudada e documentada.


– Forma de transmissão das expectativas

• Principalmente através de canais não-verbais

• Características dos alunos que afectam as expectativas
– Classe social:
• os professores tendem a reagir melhor aos alunos provenientes da sua própria classe social.
– Origem étnica (raça):
• nos EUA os negros são percepcionados de forma mais negativa; em Portugal a relação não é clara.
– Origem familiar (nos EUA):
• as crianças oriundas de famílias monoparentais eram percepcionados de forma mais negativa.
Ao nível familiar, o facto de um aluno ser oriundo de uma família monoparental, provoca no professor um baixar das expectativas relativamente a este aluno.
– Temperamento do aluno
• Alunos com um temperamento mais dócil e adaptável são percepcionados como tendo capacidades superiores às que efectivamente possuíam.
Outra diferença que afecta as expectativas do professor, diz respeito ao temperamento do aluno e á diferença entre os sexos. As crianças com temperamento mais agradável, “simpáticas”, tendem a ser avaliadas pelo professor como tendo melhores capacidades de aprendizagem do que os alunos mais instáveis e mais lentos na adaptação, fazendo com que o professor involuntariamente tenha menos contacto visual e um certo desinteresse pelos alunos mais difíceis de ensinar. Quanto ao sexo, os rapazes são incentivados pelos professores a aumentarem a sua auto-afirmação, a independência e a resolução autónoma de problemas, enquanto que as raparigas recebem uma mensagem diferente, pois o professor espera delas menos actividade e mais docilidade na aprendizagem.

Todos estes factores que influenciam as expectativas dos professores estão documentados em estudos e foram “medidos” através da observação das atitudes dos professores, nomeadamente através do contacto visual, a quantidade e qualidade dos elogios e/ou das críticas, a interacção na sala de aula, a atitude perante uma questão (mais/menos tempo de espera pela resposta, mais/menos pistas) e a exigência das tarefas colocadas.
A própria percepção que o professor tem do rendimento dos alunos afecta o seu próprio comportamento.


• Efeito das diferenças de rendimento no comportamento dos professores

– Segundo GOOD & BROPHY com os alunos de baixo rendimento os professores:

1.Esperam menos tempo pelas respostas.
2.Dão menos pistas e reformulam menos frequentemente as questões.
3.Reforçam de forma inadequada.
4.Criticam mais.
5.Elogiam menos as respostas correctas.
6.Dão informação avaliativa de forma menos visível pelos outros alunos.
7. Interagem menos frequentemente durante as aulas.
8. Colocam perguntas com menor frequência.
9. Sentam-nos mais longe de si.
10. Colocam tarefas menos exigentes.
11. Tendem a interagir sobretudo em privado.
12. Dão menos o benefício da dúvida na hora de atribuir as notas.
13. Têm uma interacção menos amigável.
14. Dão informação avaliativa mais breve.
15. Estabelecem menos contacto visual e, de modo geral têm um comportamento não-verbal menos positivo.
16. Usam em maior grau métodos de ensino que consomem muito tempo.
17. Aceitam menos as ideias do aluno.

Bibliografia
Sprinthall, N.A. & Sprinthall, R.C. (1993). Psicologia Educacional: uma abordagem desenvolvimentista. Lisboa: McGraw-Hill.

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