terça-feira, 6 de novembro de 2007

A dimensão pessoal do ENSINAR II



Atitudes face ao ensino/aprendizagem


O modo como os professores entendem o ensino e a aprendizagem é muito importante. Existem muitas questões acerca do ensino e da aprendizagem e são as respostas a estas questões que vão influenciar as nossas atitudes e comportamento nas aulas. Uma das perspectivas é a do professor ser o centro da aula, é ele quem decide se as respostas dos alunos estão certas ou erradas num jogo de perguntas e respostas entre alunos e professor. O professor é a fonte de todo o conhecimento (para o aluno). Essa perspectiva pode provocar nos alunos um enviesamento relativamente à verdade.

Paralelamente, esta pode ser uma tentação irresistível para o professor, transformando, por vezes, a autoridade devida do mesmo em autoritarismo.

David Hunt através das suas investigações especificou o modo como os alunos em níveis de desenvolvimento conceptual baixo preferem conceitos concretos a conceitos abstractos, alta estruturação em vez de baixa, e avaliações e recompensas concretas e imediatas em vez de diferidas e intrínsecas. David Hunt aplicou o seu método aos professores e concluiu que estes tal como os alunos têm sistemas conceptuais diferentes relativamente ao ensino e à aprendizagem.

Assim, professores com níveis conceptuais diferentes têm também um comportamento diferente na sala de aula - se é baixo a memorização é o caminho para os alunos; se é alto existe uma tentativa de adequar as estratégias consoante cada aluno específico.


• Nível conceptual (NC) dos professores
(D. Hunt)

– ESTÁDIO A
• Apresenta um tipo de pensamento claramente concreto;
• Encara o conhecimento como sendo fixo;
• Utiliza um único método «certo e seguro»;
• Demonstra uma atitude conformista na aprendizagem e espera o mesmo dos alunos;
• É pouco autónomo e carece de iniciativa; necessita de instruções detalhadas;
• Não distingue entre teoria e factos;
• Apoia-se quase exclusivamente em organizadores avançados;
• Acredita que o ensino consiste em «rechear os alunos» de factos;
• Permanece nos níveis um e dois da hierarquia de Bloom, independentemente do nível dos alunos;
• Prefere actividades altamente estruturadas, para si e para os seus alunos;
• Sente-se muito pouco à vontade em tarefas de carácter ambíguo;
• Não põe em causa a autoridade;
• Segue o manual como se este estivesse «gravado em pedra»;
• Verbaliza os seus sentimentos de forma limitada. Tem dificuldade em reconhecer sentimentos nos alunos;
• Tem relutância em falar das suas próprias limitações; responsabiliza exclusivamente os alunos.


– ESTÁDIO B
• Revela uma crescente tomada de consciência da diferença entre pensamento concreto e abstracto;
• É capaz de distinguir entre factos, opiniões e teorias sobre o ensino e a aprendizagem;
• Utiliza por vezes métodos de ensino diferenciados, de acordo com as diferenças que observa nos alunos;
• Demonstra um ensino orientado para a generalização e não apenas para a aquisição de competências;
• Põe por vezes em prática o princípio do «ajustamento e desajustamento» sistemático; é capaz de variar o grau de estruturação;
• Está aberto à inovação e é por vezes capaz de lhe fazer as adaptações adequadas;
• Demonstra sensibilidade às necessidades emocionais dos alunos;
• Valoriza um certo grau de autonomia e de auto-orientação na aprendizagem, tanto em si próprio como nos alunos;
• Utiliza os níveis um a quatro da hierarquia de Bloom, nas ocasiões adequadas;
• Utiliza formas de avaliação adequadas às tarefas.


– ESTÁDIO C
• Entende o conhecimento como um processo de aproximações sucessivas;
• Reconhece que aquilo que hoje são teorias podem amanhã ser anacronismos;
• Demonstra originalidade na adaptação das inovações à sala de aula;
• Aplica com segurança todos os modelos adequados de ensino;
• É capaz de analisar o seu próprio ensino, tanto em termos de conteúdos como de sentimentos;
• Tem uma elevada tolerância à ambiguidade e à frustração; é capaz de se manter numa tarefa mesmo face a fortes elementos distractores;
• Não se conforma automaticamente com as instruções - averigua as razões subjacentes;
• Promove uma abordagem de indagação intensiva com os alunos;
• É capaz de utilizar todos os seis níveis da hierarquia de Bloom, nas ocasiões adequadas;
• Responde adequadamente às necessidades emocionais dos alunos;
• É capaz de «ajustar e desajustar» com flexibilidade e destreza;
• Efectua avaliações cuidadosas, baseadas em critérios objectivos de acordo com o nível da tarefa.


– Relação NC - comportamento dos professores

Estádio A

• Acreditam que só há uma maneira de ensinar;
• A matéria consiste em factos que os alunos têm que reter;
• É transmitida grande quantidade de informação;
• Transmitem a informação de modo directivo;
• Não permitem ao aluno levantar questões;
• Os professores tiram conclusões que fornecem aos alunos.

Estádio C

• Permitem a expressão construtiva do aluno;
• Permitem ao aluno levantar questões;
• Permitem ao aluno levantar hipóteses;
• Vêm o aluno com participante na aprendizagem;
• Vêm o conhecimento como um processo em aberto;
• Variam a estrutura e o ritmo de acordo com as necessidades do aluno;
• Utilizam métodos de ensino variados;
• Empatizam com quase todos os alunos;
• Lêem e inflectem com os alunos.

Bibliografia
Sprinthall, N.A. & Sprinthall, R.C. (1993). Psicologia Educacional: uma abordagem desenvolvimentista. Lisboa: McGraw-Hill.

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