quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A dimensão pessoal de ENSINAR IV


Atitudes face a si próprio

• A maneira como o professor se vê a si próprio é uma componente fundamental da definição da atmosfera da sala de aula

A maneira como os professores se vêem e se sentem em relação a si próprios determina fortemente o clima na sala de aula, bem como o desempenho dos alunos. A auto-confiança, o equilíbrio e o auto-controlo estabelecem uma atmosfera de cooperação e aprendizagem na sala de aula. Do mesmo modo que um professor hiperansioso, trémulo e inseguro, tende a estabelecer o clima oposto.

Frances Fuller (investigadora da Universidade do Texas) descobriu que quase todos os professores estagiários e principiantes atravessam uma mesma sequência de fases de crescimento pessoal. Fuller elaborou um quadro descritivo das diversas fases.

As fases podem ser agrupadas em três categorias gerais: preocupações centradas em si próprio, no controlo e organização e no impacto. No primeiro grupo, os professores preocupam-se com a opinião que os alunos têm acerca deles. Na fase do controlo e organização, o professor principiante está centrado sobre o comportamento e as estratégias de ensino, tendo grandes dúvidas se os métodos que utiliza são adequados ou não. A categoria impacto inclui as fases denominadas consequência, colaboração e reorientação, numa altura em que o professor já se sente num meio controlado, capaz de dar mais atenção aos alunos, desfeitas que estão as preocupações iniciais.

Aprende a “ler” os alunos e a reflectir sobre a melhor maneira de chegar a eles. O que Fuller descobriu foi que os professores estagiários raramente se desprendem das primeiras fases, muita provavelmente pela falta de apoio profissional e supervisão adequada.

• O MABP (Modelo de Adopção Baseado nas Preocupações) de Frances FULLER (1969)

A. Preocupações centradas em si próprio: - os professores preocupam-se com:
– Opinião que os alunos têm deles;
– O modo como estão a ser avaliados;
– A maneira como se sentem enquanto professores;
– Relacionamento com professores mais experientes.

B. Preocupações centradas no controlo e organização: - Os professores preocupam-se com:
– Comportamentos e estratégias de ensino;
– Controlo e gestão da turma.

C. Preocupações centradas no impacto: - Os professores preocupam-se com:
– Consequências da sua actividade;
– Perceber e satisfazer as necessidades dos alunos.

• Valores e ensino

Quanto aos valores, a questão é complexa. Deverá o professor considerar os alunos “tábuas rasas” prontas para a doutrinação e incutir-lhes a sua forma de ver o mundo, ou deverá este abstrair-se de se pronunciar e apresentar todos os fenómenos de uma maneira imparcial? Ambas as atitudes são demasiado extremistas. Talvez a solução seja considerar as crianças como tendo um potencial de desenvolvimento, e proporcionar o ambiente adequado de forma a estimular esse processo natural.

– Duas posições básicas:
a) O ensino escolar deverá passar aos mais novos os modos de pensar e os valores predominantes numa determinada sociedade;
b) O ensino deverá ser isento de valores, não devendo os professores apresentar todos os lados de qualquer questão de forma imparcial.

No entanto, para a democracia funcionar, é essencial uma educação eficaz. Esse poderá ser outro papel do professor: o de ensinar os alunos a pensar acerca de princípios democráticos, nomeadamente os valores da liberdade, igualdade e fraternidade de forma a combater o preconceito, a ignorância, a intolerância... inimigos da democracia.

Bibliografia
Sprinthall, N.A. & Sprinthall, R.C. (1993). Psicologia Educacional: uma abordagem desenvolvimentista. Lisboa: McGraw-Hill.

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